INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA
BRASILEIRA
Um freio para a expansão da economia
Parte I
Os avanços obtidos na área de pesquisa aplicada no campo da
biotecnologia produziram efeitos consideráveis na agricultura brasileira.
Empresa de ponta, a Embrapa, um orgulho nacional, alavancou com seus
trabalhos, a produtividade no campo, resultando assim em safras recordes! Neste
ano, há uma estimativa de safra recorde de grãos que deverá atingir 83 milhões
de toneladas!
Se, de um lado, temos um setor que desponta no cenário internacional
com um verdadeiro “celeiro do mundo”, com sua elevada capacidade de produção
agrícola, de outro, ficamos reféns de uma infraestrutura logística precária que
não permite o escoamento das nossas safras recordes para a exportação!
A recente e emblemática situação provocada pelo cancelamento de
contratos para a exportação da soja para a China é um exemplo contundente!
Com engarrafamentos de mais de 25 quilômetros, caminhoneiros aguardavam
para desembarcar sua carga nos portos de Santos e Paranaguá.
Muito se falou a respeito da nossa infraestrutura, onde planos
mirabolantes projetavam solucionar definitivamente nossas mazelas logísticas!
Elaborado por burocratas do Governo e registrados no mais qualificado
papel de impressão, esses planos não deslancharam ou por falta de vontade política ou
incompetência gerencial do Estado!
Os exemplos são inúmeros! Só para citar, tomemos o PAC (Programa de
Aceleração do Crescimento). Mostrou-se pífio no desempenho de execução, motivo
por sinal de grandes barganhas políticas, onde o interesse maior fica para
segundo plano!
Se a aceleração do crescimento e o desenvolvimento brasileiro forem,
mensurado e executado, na mesma velocidade do PAC, estaremos mantendo o velho bordão:
“enquanto pisamos no acelerador, puxamos
os freios”!
Um diagnóstico simplificado nos permite verificar as dimensões dos
problemas que o Brasil enfrenta diante desse quadro de muitas falas e poucas ações!
Comentemos os efeitos da sazonalidade das nossas safras agrícolas, o
que significa uma produção elevada em determinadas épocas do ano, como por exemplo,
o caso da soja, que precisa ser escoada até os dois principais canais
logísticos de exportação: Porto de Santos e Porto de Paranaguá.
Na época da safra, descem para o Porto de Santos 3.200 caminhões de
soja por dia. Excluindo-se o que chega pelo modal ferroviário, um volume de 1,9
milhões de toneladas de soja necessita de 54 mil caminhões para abastecer os
navios!
Como o pico de comercialização dessa commodity acontece entre abril e maio, coincidindo também com
a safra de açúcar; nesses meses passa a existir uma disputa acirrada entre os
produtores em busca de caminhoneiros dispostos a realizar o transporte de suas safras.
O mesmo acontece com o escoamento do milho e o algodão! Sem falar nos problemas
oriundos da capacidade reduzida de armazenamento desses produtos, o que leva a
uma grande perda de suas safras!
A matemática é irrefutável: um navio de granel sólido com grande capacidade
de carga, que antes levava, em média, dois dias para ser abastecido acaba
levando quatro dias! Essa demora tem reflexos na espera de navios que ficam
aguardando autorização para atracar.
Examinado as estatísticas recentes, o cais de atracação do Porto de
Santos com capacidade para receber 33 navios deixava 79 outros a espera de uma
vaga no ancoradouro!
Estimativas do Sindamar (Sindicato das Agências de Navegação Marítima
de São Paulo) apontam para prejuízos da ordem de US$ milhões, que serão pagos
pelos exportadores.
Esses prejuízos se estende em toda a cadeia logística, tal qual o velho
“efeito dominó”: derruba-se uma peça e todas as demais vão cair! Dos milhões
perdidos pelos exportadores o processo se propaga até aos caminhoneiros que
esperam 30 horas na fila para desembarcar suas cargas no Porto de Santos, tempo
esse que poderia ser utilizado para o transporte de outra carga ou na
realização de outra viagem para o mesmo Porto!
Em função desse caos logístico, os fretes também aumentaram
consideravelmente! Enquanto que nos Estados Unidos o frete para o transporte da
soja por uma extensão de 2 mil quilômetros custa de US$ 10 a US$ 35 por
tonelada, no Brasil essa mesma tonelada custa US$ 160!
De acordo com o jornal Folha de São Paulo, esse verdadeiro apagão
logístico que se descortina claramente no Brasil, levará aos produtores a
perderem cerca de US$ 4 bilhões, cifra suficiente para a construção de várias
hidrovias no País!
Continua na próxima postagem
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