sábado, 17 de fevereiro de 2018

Ampliação do Canal do Panamá.

AMPLIAÇÃO DO CANAL DO PANAMÁ.


Com um elevado esforço, um investimento de US$ 360 milhões à época e a ocorrência de inúmeros acidentes, inclusive fatais, foi inaugurado em 1914 o Canal do Panamá destinado a interligar o Oceano Pacífico ao Oceano Atlântico e assim, reduzindo consideravelmente os custos logísticos e o tempo de transporte entre os dois continentes.

A figura 1 apresenta um esboço da importância dessa obra que encurtou consideravelmente a rota de transporte marítima entre os países.



Figura 1 – Canal de Panamá estreitando a rota marítima.
Fonte: Google – Banco de Imagens.

Para a construção desse canal, devido a diferença de cota entre o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico foi necessário o projeto de eclusas para promover a elevação ou rebaixamento do nível da água de maneira a permitir a transferência das embarcações de um  oceano para outro.

A expansão do comércio internacional e a constante procura de redução de custos em busca de uma maior competitividade, levou a construção de embarcações cada vez de maior porte.

Hoje projeta-se navios com elevada capacidade de TEUs (TEU representa a capacidade de carga de um contêiner marítimo normal de 20 pés de comprimento por 8 de largura e 8 de altura).

A figura 2 apresenta a evolução do porte dos navios de contêineres, que levou essencialmente em conta as questões relacionadas à redução de custos e economia de escala.


Figura 2 – Evolução dos navios porta contêineres.
Fonte: Wilsons Sons. 

Atualmente, o maior navio porta contêineres é O COSCO Shipping Aries que deverá operar entre a China e Europa, em viagens que vão demorar, em média, 77 dias (9,6 nós de velocidade máxima). Esse monstro dos mares que tem 196.670 de tonelagem bruta; comprimento (LOA) de  400 metros e largura de 59 metros,  mostrado na figura 3, tem capacidade de transportar um total de 20.000 TEU´s. 


Figura 3 – Maior navio de conteinere do mundo – Capacidade 20.000 TEU´s
.
Considerando a expansão do comercio internacional e a construção de navios de maior capacidade de transporte, o canal do Panamá, em sua versão original, mostrou-se inadequado à demanda de novas embarcações, muito especialmente, em face das suas dimensões e a impossibilidade do uso do canal para cruzar o Atlântico em direção ao Pacífico.

Após um longo período de distúrbios operacionais (greves, infiltrações nas eclusas etc), em 26 de julho de 2016 foi inaugurado o denominado projeto de Terceiro Conjunto de Eclusas, dobrando a capacidade do canal e permitindo o fluxo de navios de maior porte, em face da ampliação da largura e da profundidade das faixas de tráfego.


Figura 4 – Canal do Panamá.
Fonte: Jornal da Economia do Mar.

A figura 4 apresenta uma visão geral do canal do Panamá e a figura 5 o detalhamento da estrutura do sistemas de eclusas do projeto construtivo.


Figura 5 – Sistema de eclusas do Canal do Panamá.
Fonte: https://umpouquinhodecadalugar.com/2017/04/23/o-espetacular-canal-do-panama/

O canal originalmente construído estava limitado pelo tamanho de suas eclusas, aproximadamente 33,50 metros de largura, 320 metros de comprimento e 12,50 metros de profundidade, permitindo a passagem dos navios denominados Panamax, como mostra a figura 6.


Figura 6 – Navio Panamax atravessando o Canal do Panamá.

O terceiro conjunto de eclusas vai comportar a passagem dos novos navios denominados de Pós-Panamax que tem maior capacidade de carga.

A figura 7 apresenta a distribuição dos tipos de embarcações que transitam nas novas eclusas, registando-se que 35% delas são destinadas ao transporte de GLP e  46% envolvendo o transporte de contêineres.


Tipo de embarcação.

Tipo de mercadorias transportadas.

Figura 7 – Fluxo de mercadorias movimentadas e tipo de navios.
Fonte: Informe anual - Canal do Panamá (2016).

Vale registrar as preocupações de caráter ambiental que vem sendo implementadas pelas autoridades panamenhas, dado o seu compromisso de reduzir o impacto ambiental e preservar os recursos hídricos.

Nesse sentido, o Canal do Panamá vem realizando uma série de medidas preventivas de conservação da água em suas operações e mesmo a paralisação da geração de eletricidade na usina hidrelétrica de Gatun, entre outras medidas operacionais voltadas para reduzir o impacto ambiental com o funcionamento do canal.

Não restam dúvidas de que a expansão do canal do Panamá vai abrir espaço para a ampliação do comércio internacional. Tomando por base as informações das autoridades gestora, os maiores usuários do canal são: Estados Unidos, China, Chile Peru e Japão.

No que se refere ao Brasil, novas oportunidades surgirão com a possibilidade de criação de terminais de concentração de cargas oriundas dos Estados Unidos e da Europa, cujos reflexos irão provocar a necessidade de novas alternativas logísticas, especialmente com a construção de ferrovias e integração dos portos, afetando especialmente o norte e o nordeste brasileiro.

Fontes:
Canal do Panamá – Informações financeiras – disponível em  https://www.pancanal.com/eng/general/reporte-anual/InformeAnual-AF2016.pdf - acesso 17/02/2018.

Flores, Guilia P. in A expansão do canal do Panamá e os impactos sobre o comércio internacional – Monografia – Universidade Federal de Santa Catarina – 2017.

Logistics Management – US Port Update – Part 1 – Expanded Panama Canal Changes the Balance - disponível em http://www.logisticsmgmt.com/article/u.s._ports_update_part_1_expanded_panama_canal_changes_the_balance - acesso: 17/02/2018.

Porto Gente in Os impactos da expansão do canal do panamá – disponível em https://www.portogente.com.br/noticias/transporte-logistica/94162-os-impactos-da-expansao-do-canal-do-panama-no-setor-de-navegacao – acesso: 17/02/2018.




Nenhum comentário:

Postar um comentário